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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

REDAÇÃO NOTA 10 PUC-RIO : www.prioridade.nacional.com.br

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http://www.puc-rio.br/vestibular/repositorio/redacoes/

REDAÇÃO NOTA 10 PUC-RIO: Tecnologia, espaço de comunhão!?

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REDAÇÃO NOTA 10 PUC-RIO: Máquinas de carne e osso

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REDAÇÃO NOTA 10 PUC-RIO: Cadê os peões de madeira e os pedaços de barbante?

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REDAÇÃO NOTA 10 PUC-RIO : Meios de comunicação podem ser impessoais?

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REDAÇÃO NOTA10 PUC-RIO: Respeitável público, as crianças

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REDAÇÃO NOTA 10 PUC-RIO : Escolhas para o futuro

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REDAÇÃO NOTA 10 PUC-RIO: Perversa liberdade

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REDAÇÃO NOTA 10 PUC-RIO : Aproximar X afastar: o paradoxo da comunicação moderna

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REDAÇÃO NOTA 10 PUC-RIO : HUMANIZANDO OS AVANÇOS TECNOLÓGICOS

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REDAÇÃO NOTA 10: O aborto deve ou não deve ser legalizado? Por quê?

TEXTO MOTIVADOR: Há muitos anos, as nações discutem questões científicas, éticas, morais e religiosas que envolvem o aborto. Ele é legalizado e feito de forma segura em vários países, mas é ilegal e visto como grave crime em outros. Muitas mulheres (de todas as classe sociais e religiões) já interromperam uma gravidez indesejada, com ou sem ajuda médica, com ou sem respaldo legal. Uma das principais discussões é se a legalização do aborto diminuiria uma gravíssima questão de saúde pública: as complicações pós-aborto, que são a terceira causa de morte entre mulheres em idade fértil. O que você acha? Por razões médicas ou por escolha pessoal da mulher, o aborto deve ou não ser legalizado?

TÍTULO: A Decisão é da Mulher

Legalizar o aborto significa que nenhuma mulher poderá ser presa por esta prática e que o Estado estará obrigado a garantir assistência à saúde desta mulher na rede pública. Porém muitas pessoas e principalmente entidades religiosas acreditam que aprovar determinada lei significa um crime contra a vida e fazer apologia ao aborto.

A criminalização do aborto faz com que as clínicas clandestinas lucrem no comércio ilegal de abortamentos e milhares de mulheres morram por ano ao realizarem o aborto na clandestinidade, se houvesse a legalização, poderíamos ter números oficiais de abortamentos e controlá-los para diminuir esses números.

São as mulheres pobres, as [pobres as] maiores vítimas da criminalização do aborto. São elas que morrem por não ter dinheiro para pagar por um aborto em clínicas clandestinas caríssimas e acabam por realizar abortos em situações desumanas, sem terem um acompanhamento médico antes, durante e depois do aborto.

Legalizar o aborto não significa incentivá-lo e sim poder reforçar campanhas de educação sexual para evitá-lo. A maternidade só será plena se for voluntária, livre e desejada, por isso é preferível a mulher assumir que não está pronta para trazer uma criança ao mundo do que fazer esta criança passar por maus tratos e sofrer. Não faz sentido que pessoas em nome de princípios religiosos imponham proibições para pessoas que não pensem como elas.

O aborto é um direito das mulheres de decidirem sobre seu corpo e sua vida. Nenhuma mulher é obrigada a fazer um aborto e quem for contra poderá manter sua opinião, seguir seus valores e religião. Mas aquelas que tiverem uma gravidez não planejada devem ser respeitadas na sua decisão, e o Estado deve garantir a possibilidade destas de interromper a gravidez sem correr risco de morte ou ir para a cadeia. Nenhuma mulher deve ser perseguida, humilhada, condenada ou presa pela prática do aborto.

Comentário geral

Trata-se de uma ótima redação, que revela domínio do gênero dissertativo, capacidade argumentativa e extenso repertório cultural. O texto indica que a autora tem autonomia em relação à utilização da norma escrita, ainda que apresente um ou outro deslize. Problemas pontuais no emprego de iniciais maiúsculas e no uso indevido da vírgula estão sublinhados no texto.

Aspectos pontuais

1) Para maior clareza, seria interessante dividir o segundo parágrafo em dois períodos, no trecho assinalado em vermelho. No segundo período, a repetição da palavra "números" poderia ser evitada. Observe nossa sugestão: "Se houvesse a legalização, poderíamos ter números oficiais de abortamentos e controlá-los para diminuir esses índices."

2) No terceiro parágrafo, o pronome relativo "que" poderia ser retomado no trecho assinalado em vermelho: "e que acabam (...)".

3) Atenção à regência do verbo preferir, no quarto parágrafo. Prefere-se sempre uma coisa a outra; preferível segue a mesma norma: "É preferível a mulher assumir (...) a fazer esta criança passar por maus tratos e sofrer."

http://educacao.uol.com.br/bancoderedacoes/redacao/ult4657u406.jhtm

REDAÇÃO NOTA 10: "Selinho" é inocente ou tem significado sexual?

TEXTO MOTIVADOR: No mês de setembro de 2009, foi preso em Fortaleza um turista italiano, por ter dado um beijo nos lábios da filha de 8 anos. Esse "caso de polícia" fez com que se discutisse a atitude cultural do "selinho" que, para muitas pessoas, tem forte conotação sexual, principalmente entre pais e filhos. Segundo a esposa brasileira, indignada com a prisão do marido, essa é apenas uma forma inocente que se usa na família deles para demonstrar afeto. De fato, até amigos trocam um "selinho", de vez em quando. A questão é: a moda do selinho é inocente? Ou ele deve ser evitado, pois tem apelo sexual? O que você acha?


TÍTULO: Outros tempos...

Não vejo problema algum com a moda do "selinho". Chega a ser ridículo pensar que um beijo em que os lábios se tocam de leve possui forte conotação sexual. É um beijinho. Só isso. Uma demonstração de afeto inocente da mesma maneira que um abraço, um aperto de mãos. Se fosse algo a mais que isso, pais e filhos não se cumprimentariam dessa forma, como já é de costume em muitas famílias.

De fato, não entendo a implicância com o "selinho", ainda que entre parentes. Se duas pessoas não veem problema nenhum em fazer isso e se sentem felizes assim, por que devemos nos importar? Afinal, ninguém está obrigado a cumprimentar os outros dessa maneira e, francamente, não é nenhum atentado ao pudor ver alguém dando um selinho à sua frente.

Mas a questão é outra. O incômodo, na verdade, é com tudo aquilo que é moderno, que rompe com os velhos padrões da sociedade. Condenar o beijinho na boca não passa de uma atitude conservadora. Basta voltarmos um pouco no tempo. Quando que [Quando] pais e filhos se cumprimentariam com um selinho? No máximo, apertavam-se as mãos no momento em que os filhos pediam a "benção" [bênção] antes de dormir.

Realmente, romper com padrões não é uma tarefa fácil. Mas a luta deve continuar. Não se pode se calar, nem de boca fechada. São outros tempos e isso deve ser levado em conta.

Comentário geral

Considerado como a redação de um aluno adolescente, de nível colegial, o texto merece a nota máxima. O autor tem uma opinião sobre o tema proposto e soube apresentá-la com muita clareza. Não se trata de concordar com ele ou não. O que ele acha pode ou não ser válido, mas ele sabe expressar isso em bom português. Os deslizes de linguagem são poucos e pequenos, não chegando a comprometer a redação como um todo.

Aspectos pontuais

1) No terceiro parágrafo, não há razão para colocar a palavra bênção entre aspas, pois ela foi usada em seu sentido literal. O que faltava era o acento circunflexo. Além disso, convém lembrar que o ato de "tomar a bênção" compreende um beijo na mão e não, simplesmente, um aperto de mão.

2) No último parágrafo, a construção em vermelho ficou ambígua. Seria melhor usar um sujeito determinado, "Não podemos nos calar", ou usar outro modo de indeterminar o sujeito da ação: "É impossível permanecer calado". De resto, a redundância "calado/de boca fechada" é totalmente desnecessária.


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REDAÇÃO NOTA 10: Toque de recolher protege juventude e sociedade?

TEXTO MOTIVADOR: O toque de recolher, à noite, para menores de 18 anos tem sido visto por algumas autoridades como o grande trunfo no combate às drogas e às infrações juvenis no país. Já foi implantado em vários municípios de São Paulo e também no Paraná. Os jovens não podem frequentar bares, lanchonetes, lan houses ou bailes após certo horário. Uma parte da sociedade, porém, está chocada com o que chama de preconceito inconstitucional de juízes e incompetência educacional e social do Estado. 

O que você acha: o toque de recolher realmente protege a juventude e a sociedade?

 

TÍTULO: Tempos de falsa liberdade

O toque de recolher não protege a juventude nem a sociedade. Embora venha sendo sucessivamente adotado em várias grandes cidades brasileiras, mostra-se como uma medida de eficiência duvidosa que mais esconde que soluciona o problema dos jovens e as noites urbanas do Brasil.

Os primeiros anos do século XXI vêm sendo de dura repressão. Não mais como aquela da década de sessenta [1960], tempos de ditadura, mas é uma repressão velada, o que é pior. Fingindo pôr um fim aos problemas de drogas, alcoolismo e violência relacionados especialmente à juventude, governantes adotam essa lei que apenas tira de alguns o seu principal direito: a liberdade.

E tudo isso é feito para tentar esconder a incapacidade das autoridades de resolver essa questão. É evidente que não é necessária apenas uma esquina escura para o uso de drogas e a prostituição juvenil. A violência continua a ocorrer em qualquer hora do dia, mesmo nos locais em que o toque de recolher foi imposto. Assim, os índices de criminalidade entre os menores de dezoito [18] anos permanecem altos, e as cidades continuam inseguras.

Esse é um problema que precisa ser resolvido, mas de forma mais séria. O que é necessário é a inserção da segurança nas ruas brasileiras em todos os momentos do dia, além da tomada de medidas que realmente impeçam o consumo de drogas e prostituição dos jovens, sem que seus direitos sejam feridos. Destas, a principal é a educação.

 

Comentário geral

O texto é bastante claro, eficiente, com ideias muito seguras e bem pontuado. Os argumentos se desenvolvem aos poucos, e o texto termina numa proposta clara para a solução do problema.

Aspectos pontuais

1) Embora perfeitamente possível, o título poderia acenar com a ideia mais eloquente do texto, que é educar os jovens; ideia esta que só aparece na última linha do texto.

2) No segundo parágrafo, por uma distração, o período ganhou um pouco de ambiguidade, dada a escolha das frases. O leitor se pergunta: o que é uma repressão velada? A ditadura? A expressão "toque de recolher"? A década de 1960? Sugere-se algo como:

Os primeiros anos do século XXI vêm sendo de dura repressão. Não mais aquela repressão dos tempos de ditadura, na década de 1960, mas, o que é pior, uma repressão velada...

3) No período citado há uma data. Prefira, por clareza, quando se referir a datas do século XX, usar os 4 algarismos: décadas de 1960, 1970 ou 1950.

REDAÇÃO NOTA 10 : O preconceito racial está chegando ao fim?

TEXTO MOTIVADOR: No mundo todo, implantam-se e vigoram políticas mais efetivas contra a discriminação racial, que, cada vez mais, é punida com rigor. Será o fim do preconceito no mundo? O fato é que alguns negros passam a comandar empresas, outros são juízes, atletas de sucesso, grandes atores ou comunicadores. Em 2008, o salto foi maior: os norte-americanos elegeram Barack Obama para presidente da República. No Brasil, dizem que não existe preconceito, que somos uma sociedade multirracial e unida. Será mesmo? Obama, Lewis Hamilton, Naomi Campbell, Oprah Winfrey, o ministro Joaquim Barbosa, a atriz Taís Araújo revelam um mundo novo sem preconceitos? O que você acha: está acabando o preconceito aqui e no mundo?

 

TÍTULO: A sobrevivência do preconceito

O fato de muitos negros hoje ocuparem lugares de destaque não indica que o preconceito racial está chegando ao fim, demonstra apenas que o mundo está abandonando a imagem do negro como pessoa incapaz de atingir um objetivo. São pessoas que conseguiram aproveitar as oportunidades e alcançaram o sucesso, porém, jamais chegariam aonde estão se não tivessem algum respaldo financeiro.

A escolha dos americanos para presidente da República mostra que o preconceito existe até nos dias atuais, pois foi uma eleição que jamais causaria tanto impacto se o mundo estivesse realmente amadurecido quanto a questão racial. Foi um espetáculo midiático, que transformou um candidato comum em um arauto dos novos tempos, fazendo com que parecesse mais um duelo de raças do que um embate de propostas políticas em uma nação que depois de tanto controlar o mundo começou a ter seu brilho apagado.

Barack Obama não teve a infância que um negro pobre teria, cursou universidades prestigiadas e teve como cartão de acesso ao mundo dos brancos o fato de sua mãe e avós maternos serem desta raça. O grande mérito de Obama foi ter aproveitado as oportunidades que tinha e conseguir trilhar uma trajetória política que fizesse com que merecesse uma vaga na disputa pela Casa Branca.

Quanto aos artistas negros que fazem tanto sucesso em Hollywood e que parecem servir de amostra que o preconceito está acabando, leva a um silogismo onde as pessoas acreditam que o fato deles estarem lá significa a derrubada do muro da intolerância e o fim da imagem do branco como superior. Como existem personagens negros, obviamente existirão atores negros, algo que é tão natural que se torna bizarro que tais atores sejam utilizados como símbolos dos novos tempos.

O preconceito racial sobrevive e somente com investimentos na área de educação e a punição para atos discriminatórios podem diminuir cada vez mais a ideologia racista predominante. Não é o sucesso de alguns negros que vai abrir o caminho para os outros, da mesma maneira que não é reservando cotas em faculdades, mas sim a melhoria do ensino público que podem diminuir a diferença entre a média da população de quaisquer raça que consiga atingir o ensino superior.

 

Comentário geral

O texto demonstra domínio da norma culta da língua escrita, capacidade de síntese, bons argumentos, coesão e desenvoltura na defesa de um ponto de vista. Não é, evidentemente, o texto de um jornalista ou de um profissional da redação. É o texto de um estudante e, nessa condição, preenche todos os requisitos necessários para obter a nota máxima.

 

Aspectos pontuais

1) No segundo parágrafo, recomendamos o emprego da crase na expressão "quanto à questão racial".

2) A formulação do quarto parágrafo pode ser refinada. Observe: argumento ou silogismo é um "raciocínio lógico" e sofisma é um "falso raciocínio". Nossa sugestão para o texto é a seguinte: "O argumento de que o preconceito está acabando porque muitos artistas negros fazem sucesso em Hollywood é um sofisma. As pessoas acreditam que o fato de eles estarem lá significa a derrubada do muro da intolerância e o fim da imagem do branco como superior. O fato é que os atores negros estão em evidência simplesmente porque existem personagens negros, e não porque são símbolos dos novos tempos."

 

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REDAÇÃO NOTA 10: HUMOR

UFRJ-2007 TEMA: “Qual é a relação entre os estados de humor e as experiências da vida cotidiana?”.

BALANÇA DE HUMORES

No contexto atual, basta que qualquer pessoa ligue a televisão para ser bombardeada por programas e propagandas que exaltam a felicidade suprema de seus personagens. Sempre belas, sorridentes e livres de problemas, aquelas imagens passeiam diante de olhos confusos, que não conseguem enxergar tamanho bom humor perpétuo em suas vidas reais tão atribuladas. De fato, se fossem levados em conta somente as dificuldades diárias com as quais os indivíduos têm de lidar, o mau humor deveria ser o sentimento predominante. Entretanto, equilíbrio se faz necessário, para que seja possível manter um mínimo de leveza ao cotidiano.

O dito popular “rir é o melhor remédio” já se tornou clichê. Porém, ele se faz muito válido e coerente nos dias atuais. Em um contexto de novas e avançadas tecnologias, que possibilitam grandes e inovadoras pesquisas, a medicina descobriu que o bom humor pode mesmo salvar vidas. Uma pessoa que enfrenta os problemas de saúde com uma atitude positiva, que ri mais do que se lamenta, se torna mais otimista, e tem maiores chances de conseguir vencer a doença. Para os que questionam esses dados, terapias alternativas vão pelo mesmo caminho, e já são a primeira opção de pessoas que acreditam mais no poder de boas risadas do que no de remédios e drogas violentas, e enxergam resultados eficientes.

Há que defenda, contudo, que na atualidade só há lugar para o mau humor. Vive-se uma realidade capitalista, na qual o ter em detrimento do ser é a idéia de felicidade difundida pela mídia, que incentiva o consumismo desenfreado. Como as desigualdades sociais são profundas, nem todos podem ter acesso a esse ideal propagado, o que gera ressentimento e sensação de incompletude. Isso somado ao mercado de trabalho profundamente competitivo e exigente, a realidade circundante seria um verdadeiro quadro de pessimismo e resignações. Não haveria espaço para o bom humor, e aqueles que riem da vida estariam somente mascarando sentimentos mais profundos.

No entanto, os defensores dessa idéia não entendem que o bom humor é imprescindível para que seja possível suportar a atribulada vida contemporânea. Sem o mínimo de abstração, não seria possível enxergar que há muito mais do que uma realidade difícil. Freud já apontava o bom humor como característica do ser humano sadio, que sabe rir de si mesmo e brincar até com as mais complicadas situações. Não se pode negar o contexto atual, pois isso constituiria um perigoso processo de negação. Porém, é preciso não se levar tão a sério para conferir o mínimo de leveza à vida, e se recusar a isso pode acarretar sérios problemas de estresse e angústia.

Dessa maneira, é possível perceber que existe uma relação direta entre os estados de humor e as experiências da vida cotidiana. Entretanto, é necessário que se enfrente essas situações de maneira equilibrada. Aquele que enxerga somente o lado pesado e difícil se torna um indivíduo infeliz e ressentido, a personificação do mau humor. É certo que o bom humor constante pode ser sinal de insensatez, mas, por outro lado, a dosagem correta pode ser a resposta para tantas aflições. Para isso, é preciso reflexão e discernimento tanto para não acreditar totalmente nos ideais de felicidade propostos pela mídia de massa, quanto para não se render às desgraças que nos cercam. Se a balança, contudo, tiver que pender para um lado, que seja o da alegria. Rir, por definição, é muito melhor do que reclamar.


REDAÇÃO NOTA 10: O altruísmo e o pensamento

Passada a prova da Fuvest, hoje trago uma redação pronta que foi o tema de 2011 desse vestibular: “O altruísmo e o pensamento a longo prazo ainda têm lugar no mundo contemporâneo”? Confiram:

ÓRBITAS SOLITÁRIAS

Basta entrar em qualquer livraria das grandes capitais para encontrarmos prateleiras preenchidas com Best Sellers que contam histórias vitoriosas dos grandes líderes mundiais. São trajetórias de vida inspiradoras, de homens e mulheres que estabeleceram e sustentaram verdadeiros impérios. No entanto, a grande maioria diz respeito a histórias individuais de pessoas que, sozinhas, conseguiram vencer na vida, tendo que passar por diversas barreiras e obstáculos. É raro presenciarmos trajetórias de grupos vencedores, ou de pessoas que foram ajudadas por outras, por livre e espontânea vontade. O altruísmo e o pensamento à longo prazo perdem cada vez mais espaço no mundo contemporâneo.

Em primeiro lugar, é coerente dizer que um dos traços mais marcantes da sociedade contemporânea é o individualismo. Mais do que uma característica inerente ao ser humano, isso é algo praticamente exigido pela realidade capitalista circundante, na qual o mercado de trabalho competitivo e ferrenho faz com que pensemos muito mais em nossos próprios benefícios, crescimento e status pessoais, do que naquele que está ao nosso lado. Tal fato abrange não só os relacionamentos pessoais mais próximos, como também nosso comportamento frente às maiores calamidades mundiais, o que faz com que olhemos através da tela da televisão desgraças em todo o planeta e continuemos a viver nossas vidas. Longe dos olhos e do coração.

Entretanto, há aqueles que defendem que o altruísmo ainda é algo presente na realidade circundante. Fato é que existem inúmeras ONGS e trabalhos sociais em todo o planeta, bem como projetos para salvar a mata atlântica, curar a AIDS e diminuir a pobreza. Tais defensores podem exemplificar isso ao comentar sobre a ajuda global aos desabrigados no Haiti, e os diversos documentários sobre aquecimento global, alertando a humanidade para o perigo iminente.

No entanto, todas essas medidas são paliativas, uma vez que, como não temos pensamento a longo prazo, deixamos os problemas acontecerem e tomarem proporções absurdas para, só então, tomarmos uma atitude. Tais fatos só evidenciam ainda mais o imediatismo tão comum a todos na atualidade, pois a preocupação só surgiu quando a situação se tornou alarmante.

Dessa forma, podemos perceber que, embora seja radical afirmar que o altruísmo e o pensamento a longo prazo não têm mais lugar no mundo contemporâneo, não se pode negar que eles são características pontuais e, por vezes, raras e escassas. É exigido de cada indivíduo uma demanda pessoal enorme, o que faz com que, muito além de nossa vontade, não tenhamos tempo para pensarmos em mais nada. Somente com abstração e senso de responsabilidade social deixaremos de olhar para o próprio umbigo, e perceberemos que há um mundo inteiro precisando da ajuda de cada um.


REDAÇÃO NOTA 10: MEIOS DE COMUNICAÇÃO

UERJ-2008 TEMA:   “Os meios de comunicação devem sofrer alguma forma de controle, ou todo controle representa uma censura indevida?”.

DE OLHOS BEM ABERTOS

No panorama contemporâneo, muito se tem discutido sobre o papel que devem exercer os meios de comunicação nas sociedades atuais. Países, como o Brasil, que já sofreram com governos ditatoriais, entendem as feridas que o processo de censura traz, não só para os artistas e jornalistas, que se calam, mas para a própria população, que se vê tolhida de direitos básicos. É certo, no entanto, que os meios massificados podem apelar para banalização e vulgaridade para atender aos interesses do capital. Por isso, uma discussão sobre censura e liberdade de expressão se faz mais do que necessária.

Em primeiro, lugar, é vital entendermos que os meios de comunicação já são, de alguma maneira, controlados. A imparcialidade jornalística é um mito utópico, uma vez que já é necessário algum tipo de parcialidade para escolher o que veicular nos jornais impressos e na televisão, por exemplo. Considerando que essas estruturas comunicacionais, massificadas como as conhecemos, atendem a interesses individuais de seus proprietários, é coerente afirmar que fatores como o lucro advindo da venda de exemplares, ou do ibope recebido, são determinantes para tais escolhas. Logo, pensar em liberdade completa, imparcial e incondicional é uma visão ingênua e míope.

Entretanto, devemos evitar qualquer tipo de teoria conspiratória radical, como gostam de defender aqueles que pregam que os meios de comunicação moldam de maneira radical e decisiva as mentes de seus consumidores. Já foi comprovado que assuntos como violência e sexo atraem a atenção das pessoas. Dessa forma, produtos com esses conteúdos são expostos na imprensa de maneira exaustiva, banalizando-os. Para isso, existem organizações não-governamentais que acompanham seus passos sem regulá-la, e colocam a disposição da população todas as suas pesquisas e conclusões, evitando alguma possível censura governamental, mas valorizando o bem da sociedade.

Por fim, é válido fincarmos essa discussão na contemporaneidade, uma vez que os meios de comunicação, nos dias de hoje, são completamente diferentes daqueles de poucos anos atrás. Na atualidade, a internet exerce um poder imenso na parcela mundial que a utiliza, e a credibilidade que os blogs individuais receberam nos últimos tempos afirma o cidadão como ser ativo no processo da informação, atuando como receptor e produtor. Essa falta de restrições faz com que alguns conteúdos sejam equivocados, ou até apelem para a espetacularização e o crime. Cabe, no entanto, ao próprio indivíduo discernir sobre o que deve ou não consumir. Ele tem livre arbítrio e capacidade de raciocínio, e não precisa de uma censura instituída.

Dessa forma, podemos perceber que a censura não é uma opção plausível e aceitável de controle dos meios de comunicação, pois ela fere as liberdades individuais e de imprensa, o que vai contra o próprio conceito de democracia. Se faz necessário, contudo, um forte processo de educação da população com relação ao que deve apreender e consumir nesses meios. As escolas possuem papel fundamental, ao educar crianças e jovens sobre o equilíbrio entre informação adequada e entretenimento proveitoso. Além dela, os pais também devem, em casa, instruir seus filhos de maneira correta. Devemos valorizar e prezar as liberdades de opinião e de escolha, nas suas mais variadas formas.

Redação nota 10 : Normalidade/Anormalidade

TEMA: “Reflexões acerca do olhar sobre a normalidade e a anormalidade“.

DE PERTO, NINGUÉM É NORMAL

O poeta Caetano Veloso, certa vez, disse que, de perto, ninguém é normal. Para isso, ele se valeu do que é entendido como a normalidade dentro de nossa sociedade. Considerando que tanto esse conceito quanto o da anormalidade são previamente estabelecidos, fluidos de uma cultura para outra, é preciso refletir até que ponto eles afetam a personalidade das pessoas. Se pensar e agir de maneira diferente do habitual pode ser visto como estranho, descontextualizado e, até mesmo, anormal, isso é capaz de podar as liberdades e desejos individuais, e uma discussão profunda sobre o assunto se faz necessária.

Em primeiro lugar, é possível afirmar que, como se vive em uma sociedade de massa, as pessoas tendem a ser muito parecidas. Com a difusão, por parte da mídia, de dogmas de comportamento, a tendência geral é a da homogeneização. Por isso, o que é diferente destoa na multidão, e é visto como anormal ou inadequado. Porém, em um contexto de globalização, esses mesmos meios de comunicação divulgam com velocidade e intensidade os mais diferentes hábitos e costumes. Considerando que o que é considerado normal pode mudar de uma cultura para outra, esse conceito é maximizado, ampliando a capacidade de aceitação do, até então, diferente.

É necessário, ainda, apontar a diferença entre normal e comum. Quando algo se torna corriqueiro, as pessoas tendem a inserir o fato no conceito de normalidade, embora não o seja. No Brasil, por exemplo, a violência é tão presente na vida dos cidadãos das grandes cidades, que já é encarada como parte do dia a dia do cidadão. É perigoso, entretanto, cair no comodismo e aceitar atos violentos como normais, pelo simples fato de serem tão freqüentes. Eles são, sim, comuns, mas não pode ser visto como algo diferente de anormal um cidadão caminhar com medo pelas ruas, evitar certos lugares em determinados horários, ou aceitar que, possivelmente, ele será assaltado na próxima esquina.

Por fim, é preciso refletir como o que é socialmente aceito como normal pode fazer mal. Em um mundo altamente competitivo, no qual o mercado de trabalho é cada vez mais exigente, já é considerado natural que o indivíduo procure estudar, entrar em uma universidade, falar mais de dois idiomas, para poder ter uma chance de crescer na vida. Embora possa trazer bons frutos, esse processo de racionalização da vida dentro do que é considerado normal pode levar ao atrofiamento da abstração e da capacidade criativa. É quase impossível fugir a essa regra sem ser visto como anormal pela sociedade, e isso pode levar à infelicidade e depressão crônicas.

Portanto, para vivermos harmonicamente em sociedade, é preciso estabelecer que existe uma linha tênue que separa o subjetivo conceito entre normal e anormal. Considerando que, primeiramente, a loucura é definida sempre por aqueles que não se acham loucos, essa visão pode mudar de uma pessoa para outra sem que, necessariamente, uma delas esteja errada. Precisamos praticar o exercício da aceitação de diferentes hábitos, culturas e costumes, nos fazendo valer na incrível capacidade que os meios de comunicação em massa têm para nos proporcionar isso, pelo rápido acesso a um mundo de conhecimento. Se todos fossem racionalmente normais, o viver perderia toda a leveza. De perto, ninguém é normal, e uma pequena dose de anormalidade é o que nos permite continuar sobrevivendo.