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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Os tesouros da praça de São Marcos em Veneza !

Ficheiro:San Marco-00.jpg

A piza foi iniciada no século IX como área pequena frente à Basílica de São Marcos original. Foi estendida para a sua forma e tamanho atuais em 1177, quando o Rio Batario, que a limitava a oeste, e um porto que tinha isolado o Palácio Ducal da praça, foram aterrados. A reestruturação foi realizada para o encontro do Papa Alexandre III com o Imperador Frederico Barba-Roxa.

A praça tem sido sempre o centro de Veneza. Foi o local onde se deram todos os importantes eventos da história da República de Veneza, e é a base do arcebispado desde o século XIX. Foi o foco de muitos festivais e é um lugar imensamente popular na Itália.


Foi pavimentada em finais do século XIII com ladrilhos em padrão em espinha, com linhas que permitiam organizar o mercado e as muito frequentes procissões cerimoniais. Em 1723 os ladrilhos foram substituídos por um desenho geométrico mais complexo, composto por pedra vulcânica escura com padrões geométricos em pedra branca, a cargo do arquiteto veneziano Andrea Tirali, e esta oportunidade foi aproveitada para levantar a praça em aproximadamente um metro.



 
Em 1890 o pavimento renovou-se devido ao desgaste seguindo um desenho similar ao de Tirali, mas eliminou-se as ovais e cortou-se a esquina ocidental para acomodar melhor a Ala Napoleónica no final da praça.

O espaço aberto está dominada pelo Basílica de São Marcos, o Palácio Ducal de Veneza e o Campanário da Basílica que se ergue a um lado da praça.

Ponte dos Suspiros
 
A Ponte dos suspiros é uma ponte característica de Veneza, situado perto da Piazza San Marco em direção da Riva degli Schiavoni, que liga oPalazzo Ducale às Prigioni Nove, o primeiro edifício no mundo construído para ser uma prisão.
Conhecido em todo o mundo, fotografado pelos turistas provenientes de todos os lugares, lhe foi atribuído esse nome porque a lenda diz que, em tempos remotos, os prisioneiros (atravessando-a) suspiravam na ocasião de ver pela última vez o mundo externo.
 
Os edifícios ao redor da praça são, em sentido inverso ao dos ponteiros do relógio desde o Grande Canal, o Palácio Ducal, a Basílica de São Marcos, a Torre do Relógio de São Marcos, a Antiga Procuradoria, a Ala Napoleónica, a Nova Procuradoria, o Campanário de São Marcos, a Logetta e a Biblioteca Marciana. Grande parte do piso térreo das Procuradorias é ocupado por cafés, incluindo o Caffè Florian e o Gran Caffè Quadri. O Museu Correr e o Museu de Arqueologia estão situados em alguns edifícios da praça. A Casa da Moeda fica atrás da Biblioteca Marciana na margem do Grande Canal. Estas últimas construções foram completadas durante a ocupação napoleónica, embora o campanário tenha sido reconstruído posteriormente.

 
A Praça de São Marcos é o lugar mais baixo de Veneza, e quando a água sobe no Mar Adriático por tempestades ou excesso de chuva é o primeiro sítio a inundar-se. A água drena diretamente para o Grande Canal, o que é ideal quando chove, mas quando a maré sobe (em italiano, diz-se acqua alta) tem o efeito inverso, e a água do canal escoa para a praça.



fonte: http://pt.wikipedia.org/


Moises de Michelangelo - O profeta dos 10 mandamentos de Deus.





Moisés é uma das principais obras do artista renascentista Michelangelo. Conta-se que após terminar de esculpir a estátua de Moisés, Michelangelo passou por um momento de alucinação diante da beleza da escultura. Bateu com um martelo na estátua e começou a gritar: Porque não falas? (Perché non parli ?)


Segundo Ernest Fischer, no seu livro "A necessidade da arte" (capítulo II), esta obra não só personificava o ideal do homem do Renascimento ("a corporificação em pedra de uma nova personalidade consciente de si mesma"), como também se apresentava como um repto para que a sociedade de então encarnasse esse ideal - no fundo, o mesmo desejo de Moisés, ao trazer as tábuas da lei que deveriam reformar a sociedade do seu tempo.



Ao observar atentamente a estátua, pode-se verificar que Moisés possui um par de chifres acima os seus olhos, nascendo por baixo dos seus cabelos. Uma explicação para o sucedido poderá ser a tradução errada de karan em vez de keren que significa raios (de luz) em vez de cornos, feita por São Jerónimo para o latim.

A escultura está na igreja de San Pietro in Vincoli, Roma.


 

O Moisés de Michelangelo é mais outra colossal escultura criada pelo nosso grandioso artista.
Ele é uma das quarenta e duas esculturas criadas para compor o túmulo do papa Júlio II.

Moisés é outro personagem bíblico. É o legislador dos 10 mandamentos de Deus. Segundo a bíblia, Moisés subiu ao Monte Sinai para falar com Deus, orar pelo seu povo e dele recebeu as tábuas da lei contendo os mandamentos.

Por isso,Michelangelo retratou Moisés segurando em seus braços as tábuas da lei.
Diz a lenda que por parecer tão real esta escultura, Michelangelo ao terminar de esculpi-la bate com o cinzel nos joelhos dela e diz: "Agora Fale!"

 


Moisés é a mais instigante das esculturas de Michelangelo e mede 2,35 metros.

A postura do legislador hebreu retratada por Michelangelo instiga tanto que levanta suposições em estudiosos de artes e até mesmo no pai da psicanálise Sigmund Freud despertou inquietante atenção.
Freud dizia que sempre que ia para Roma visitava a escultura do profeta. Houve um tempo em que ele ia ver a imagem todos os dias a fim de analisá-la.

Alguns estudiosos dizem que Michelangelo retratou Moisés no momento em que ele desce do monte com as tábuas da lei nos braços e vê o povo adorando outro deus(o bezerro de ouro) e o choque da cena leva-o a quebrar as tábuas, e por isso o Moisés de Michelangelo tem o pé esquerdo levemente voltado na posição de quem estava prestes a se levantar.

De sua cabeça saem dois faixos de luz, que mais parecem ser dois chifres. Supõe-se que ao retratar Moisés com esta espécie de chifres na cabeça, Michelangelo tenha se baseado na tradução equivocada dos textos bíblicos do hebraico para o latim.

 
 
 

terça-feira, 25 de junho de 2013

A Capela Sistina (e sua saga)




A Capela Sistina deve seu nome ao Papa Sisto IV Della Rovere e foi inaugurada em 15 de agosto de 1483.O interior da capela consiste numa longa e única nave, cujas dimensões, 13,41m x 40,23m, correspondem as dimensões do Templo de Jerusalém. A divisão entre o presbitério e o corpo da capela, além das pinturas originais, são aspectos que atestam o desejo do Papa de criar uma versão renascentista das grandes basílicas romanas, sem entretanto deixar de lado a ligação da Igreja Católica com as tradições paleocristãs e medievais.

Capela Sistina – Visão Interna

Capela Sistina – Vista Externa
 
Em 10 de maio de 1508, Michelangelo começa o gigantesco trabalho de decoração da Capela, que lhe fora imposto pelo Papa Julio II, sobrinho de Sisto IV. A primeira atitude do artista é recusar o andaime construído especialmente para a obra por Bramante.
Determina que se faça outro, segundo suas próprias idéias.
Em segundo lugar, manda embora os pintores que lhe haviam sido dados como ajudantes e instrutores na técnica do afresco.
Terceiro, resolve pintar não só a cúpula da capela, mas também suas paredes.


Capela Sistina – Teto – Detalhe
 
Capela Sistina – Teto
 
O teto da Capela Sistina é um espaço de grande significado simbólico no Vaticano por ser onde se realizam as eleições papais. A Capela já era decorada com uma série de afrescos importantes nas paredes, e a tarefa de Michelangelo foi a de decorar o teto, pintado apenas de um azul pontilhado de estrelas.
Ainda sob o papado de Sisto IV, começaram as decorações das paredes. Pedro Perugino, Cosimo Roselli, Sandro Botticelli, Domenico Ghirlandaio, professor de Michelangelo, e Luca Signorelli pintaram quadros da vida de Moisés e de Jesus Cristo, além de uma série de Papas entre as janelas, seis no alto de cada parede lateral.
 
Afrescos
Afrescos inspirados em cenas do Velho e do Novo Testamento decoram as paredes laterais, assim como o teto. A Entrega das Chaves a São Pedro – Perugino

Precisamente, na parede esquerda, a partir do altar, estão as cenas do Velho Testamento a representar:
1 – Moisés a caminho do Egito e a circuncisão de seus filhos, obra de Pinturicchio;
2 – Cenas da Vida de Moisés, de Botticelli;
3 – Passagem do Mar Vermelho, de Cosimo Rosselli;
4 – Moisés no Monte Sinai e a Adoração do Bezerro de Ouro, de Rosselli;
5 – A Punição de Korah, Natan e Abiram, de Botticelli;
6 – A Morte de Moisés, de Lucas Signorelli.

Na parte direita, também a partir do altar, as cenas do Novo Testamento:
1 – O Batismo de Jesus, de Pinturicchio;
2 – Tentação de Cristo e a Purificação do Leproso, de Botticelli;
3 – Vocação dos Apóstolos, de Ghirlandaio;
4 – Sermão da Montanha, de Rosselli,
5 – A Entrega das Chaves a São Pedro, de Perugino;
6 – A Última Ceia, de Rosselli.

Entre as janelas, seis de cada lado, figuram 24 retratos de papas, pintados por Botticelli, Ghirlandaio e Fra Diamante. Rafael realizou uma série de tapeçarias que, em ocasiões especiais, vestem as paredes.
Capela Sistina – Parede Lateral
Michelangelo pintou a parte superior da parede onde ficam os janelões
 
A ideia inicial de Júlio II era de apenas doze grandes figuras dos Apóstolos, mas Michelangelo concebeu um conjunto de sete Apóstolos e mais as cinco sibilas da mitologia grecorromana, uma escolha bastante incomum mas não inteiramente inédita para um teto de capela.

Acrescentou ainda quarenta ancestrais de Cristo, uma longa série de cenas do Genesis, vários nus e outras figuras acessórias, compondo um grupo de trezentas figuras dividido em três grupos: a Criação da Terra por Deus, a Criação da Humanidade e sua queda e, por fim, a Humanidade representada por Noé.
Capela Sistina – Teto – Criação do Homem – Detalhe
As figuras exibem uma força e majestade sem precedentes na pintura ocidental. Todo o tom da obra é monumental, é grandiloquente sem ser puramente retórico, mas possuindo alta poesia, inaugurando uma forma inteiramente nova de representar o trágico, o heróico e o sublime, e também o movimento e o corpo humano.

 
Capela Sistina – Teto – Deus – Detalhe

Sua interpretação temática tem sido objeto de intenso debate desde o momento de sua apresentação pública, e muitos a tem comparado com um grande panorama da evolução humana dentro de um escopo cósmico, num entendimento do Antigo Testamento como uma preparação para a vinda de Cristo, ou como uma interpretação neoplatônica dos eventos bíblicos sob uma óptica de relacionamento Deus-Homem particularmente dramática.

Michelangelo anos mais tarde disse que a concepção da iconografia se devia a ele, mas para quem não tinha uma grande erudição nem sabia latim, a complexidade simbólica das cenas parece estar além de sua capacidade de conceituação. Hartt disse que tem sido sugerido que ele teve um conselheiro teológico na elaboração do programa temático do teto na pessoa de Marco Vigerio della Rovere, um franciscano parente do papa.

 As cenas são compostas sem relação espacial umas com as outras ou com as figuras laterais, e o painel não pode ser observado a partir de um único ponto de vista. É a fase do Michelangelo herói.
Tal como Prometeu, rouba ao Olimpo o fogo de sua genial inspiração, embora os abutres das vicissitudes humanas não deixem de acossá-lo. O trabalho avança muito lentamente. Por mais de um ano, o papa não lhe paga um centavo sequer. Sua família o atormenta com constantes pedidos de dinheiro. A substância frágil das paredes faz logo derreter as primeiras figuras que esboçara. Impaciente com a demora da obra, o papa constantemente vem perturbar-lhe a concentração para saber se o projeto frutificava.

O diálogo é sempre o mesmo:
- Quando estará pronta a minha capela?
- Quando eu puder!

Irritado, Júlio II faz toda a sorte de ameaças. Chega a agredir o artista a golpes de bengala, que tenta fugir de Roma. O papa pede desculpas e faz com que lhe seja entregue – por fim – a soma de 500 ducados. O artista retoma a tarefa. No dia de finados de 1512, Michelangelo retira os andaimes que encobriam a perspectiva total da obra e admite que o papa entre na capela. A decoração estava pronta.
A data dedicada aos mortos convinha bem a inauguração dessa pintura terrível, plena do Espírito do Deus que cria e que mata.

fonte: http://www.biografia.inf.br/

O Juízo Final (e infernal) de Michelangelo


Ficheiro:Rome Sistine Chapel 01.jpg
 Nada melhor que suas próprias idéias sobre pintura para definir essa obra e o homem que a criou:

“A boa pintura aproxima-se de Deus e une-se a Ele… Não é mais do que uma cópia das suas perfeições, uma sombra do seu pincel, sua música, sua melodia… Por isso não basta que o pintor seja um grande e hábil mestre de seu oficio. Penso ser mais importante a pureza e a santidade de sua vida, tanto quanto possível, a fim de que o Espírito Santo guie seus pensamentos…” Michelangelo


O Juízo Final é um afresco do pintor renascentista italiano Michelangelo Buonarroti medindo 13,7 m x 12,2 m, pintado na parede do altar da Capela Sistina. É, na visão do artista, uma representação do Juízo Final inspiradas na narrativa bíblica.

Nesta pintura, Michelangelo, que nascera no ano em que a capela foi construída, dedicou todo seu engenho e força de 1535 a 1541. Já havia travado um ardoroso combate com Júlio II durante o período de pintura do monumental Teto da Capela Sistina. Uma confrontação de dois espíritos fortes e audazes, sem dúvida. O trabalho fora encomendado pelo Papa Clemente VII, mas só com a morte deste teve início, já no pontificado de Paulo III, que ratificou o contrato.

O afresco ocupa inteiramente a parede atrás do altar. Para sua execução, duas janelas foram fechadas e algumas pinturas da época de Sisto IV apagadas: os primeiro retratos de Papas; a primeira cena da vida de Cristo e a primeira da vida de Moisés; uma imagem da Virgem da Assunção de Perugino, e as primeiras duas lunettes, onde o próprio Michelangelo havia pintado os ancestrais de Cristo.

A grandiosidade da personalidade do grande mestre se revela aqui, com toda sua potência, devido sobretudo à concepção e a força de realização da obra.


 
Aqui, Michelangelo não expressa vigorosamente o conceito de Justiça Divina, severa e implacável em relação aos condenados. O Cristo, parte central da composição, é o Juiz dos eleitos que sobem ao Céu por sua direita, enquanto os condenados, abaixo de sua esquerda, esperam Caronte e Minos.

A ressurreição dos mortos e os anjos tocando trombetas completam a composição.
 
O Juízo Final é um célebre afresco canônico, criado pelo renomado renascentista italiano Michelangelo, e está na parede do altar da Capela Sistina, no Vaticano. O trabalho precisou de quatro anos para ser concluído, começando em 1536 e sendo concluído em 1541, vinte anos após a conclusão do Teto da Capela Sistina. A obra é majestosa, com 13,7 metros de largura por 12,2 de altura, aproveita toda a parede que fica atrás do altar, e descreve a Segunda Vinda de Cristo e o Juízo Final, como narrado na Bíblia. As almas dos seres humanos ascendem ao Paraíso ou descem ao Inferno, dependendo de como são julgados por um Cristo cercado de santos importantes como Pedro, Catarina de Alexandria, Lourenço, Bartolomeu, Paulo e João Batista.


 
Esse afresco também é conhecido por toda a polêmica que causou, provocando longos debates entre os críticos da Contra-Reforma Católica e os que visualizaram a genialidade de Michelangelo e seu estilo maneirista. O artista foi acusado de ser extremamente insensível ao evento descrito, imprimindo um estilo muito pessoal e “inadequado” ao conteúdo da obra. O Concílio de Trento criou decretos expondo que tais “manipulações” de representações sacras não eram permitidas, e toda arte que tivesse essa característica era passível de censura e até destruição.
 Após o Mestre de Cerimônias do Papa, Biagio de Cesena, dizer que a pintura “era uma completa desgraça, por expor figuras despidas, provocando uma completa vergonha” e que não era uma obra para ficar numa capela, mas em “banheiros públicos e tavernas”, Michelangelo usou Minos, o Juíz do Submundo (no canto inferior direito da pintura) para fazer uma representação de Cesena, dando-lhe orelhas de burro, enquanto sua nudez foi coberta com uma cobra. Cesena reclamou com o Papa, que brincou dizendo que “sua jurisdição não se estendia até o Inferno, e que por isso nada podia fazer, e que a pintura continuaria na capela”.
A maioria das genitálias expostas foram cobertas após a morte de Michelangelo (1564), por Daniele da Volterra, outro artista maneirista, quando o Concílio de Trento condenou a nudez na arte sacra. O decreto dizia: “Toda superstição deverá ser removida. Toda lascividade deve ser evitada; de tal modo que as imagens não devem ser pintadas ou enfeitadas com referências à luxúria”. Além disso, nenhuma imagem sacra poderia ser exibida em público sem a autorização de um bispo.
Muitos teóricos acreditam que Michelangelo se retratou na pele esfolada de São Bartolomeu, demonstrando todo o desprezo que Michelangelo teria sentido ao ser contratado para pintar “O Juízo Final”. Apesar de ser uma teoria popular, a maior parte dos estudiosos da arte histórica refuta fortemente essa teoria.

Michelangelo costumava se desenhar de maneiras em que ele perdesse todo seu poder. Ele sempre foi um forte questionador sobre a morte, e do próprio Juízo Final, que é usado como uma das maiores referências de seu trabalho. Ao terminar o “Juízo Final”, Michelangelo já estava no fim dos seus 60 anos, e a pele descamada de Bartolomeu representaria o um renascimento. Também foi teorizado, que a figura de São Bartolomeu foi usada para descrever o escritor erótico e satírico Pietro Aretino, que tentou extorquir uma valiosa pintura de Michelangelo, mas essa teoria é amplamente refutada, pois esse conflito entre os dois não ocorreu até 1545, sete anos depois da conclusão de o “Juízo Final”.
O afresco foi restaurado junto com a abóbada da Capela Sistina entre os anos de 1980 e 1994, sob a supervisão de Frabrizio Mancinelli, curador do Museu do Vaticano. Durante o curso da restauração, foram removidas muitas censuras, expondo muitos detalhes da arte original de Michelangelo, que antes estavam escondidos sob fumaça por dezenas de anos.
Descobriu-se que a representação de Biagio de Cesena, como Minos e suas orelhas de burro, estava sendo atacada na genitália por uma cobra. Outra descoberta foi um indivíduo condenado ao Inferno, logo abaixo e à direita de São Bartolomeu, esse indivíduo por muito tempo foi tratado como masculino, mas após a remoção da folha de figo, descobriu-se que se tratava de uma figura feminina.
O foco principal da imensa composição é a figura de Cristo, que aparece no alto, no centro da parede, com um amplo espaço aberto abaixo.
Ficheiro:Michelangelo Buonarroti 004.jpg 
Capela Sistina – Juízo Universal – Detalhe – Cristo – Afresco – 1508
Sob o poder biblicamente intimidante de seu gesto, parece levantar-se um turbilhão que envolve por inteiro a cena celestial – santos e virgens, profetas, mártires, apóstolos. Podem ser identificados: São João Batista, na pele de camelo; São Pedro, com as chaves; Santo André, com uma cruz; São Lourenço, com a grelha; São Bartolomeu, segurando sua própria pele flácida na qual o artista pintou seu angustiante auto-retrato; São Simão, com a serra; São Basílio, com o pente para tratar a lã; Santa Catarina, com a roda; São Sebastião, com as flechas. O grande turbilhão poupa apenas a Virgem Maria, pintada em sua tristeza, e se estende para o alto e termina por circundar as cenas nas meias-luas – a “Exaltação da Cruz” e “Os instrumentos da Paixão”. Mais uma vez o gesto de Cristo representa a força gravitacional de um segundo turbilhão que se move violentamente para cima e para baixo criando um mar celestial no qual anjos e almas danadas, demônios e ressuscitados, parecem flutuar e se agitar. Colhidos no movimento estão também os eleitos – que sobem aos céus, do lado esquerdo – e as almas danadas – caindo do lado direito enquanto lutam em vão contra os anjos vingadores.

Capela Sistina – Juízo Final – A Salvação – Detalhe – Afresco – 1508
O “Juízo Universal”, por causa dos nus, quase foi destruído pela Inquisição. Os hipócritas da época decidiram chamar um pintor secundário, Daniel de Volterra, que teve a coragem de profanar uma obra prima. Volterra colocou roupas nos nus da pintura de Michelangelo e merecidamente, foi ridicularizado. Esta triste figura, junto com seus auxiliares, ficou conhecido na história como “Os Tapa Traseiros”.Embaixo, fora do turbilhão, há duas cenas separadas.No lado esquerdo a ressurreição dos mortos, que dolorosa e tortuosamente voltam à vida.




 

Capela Sistina – Juízo Universal – A Barca de Caronte – Detalhe – Afresco – 1508
No lado direito, Caronte e seu barco infernal resumem, no violento gesto do barqueiro e no anônimo amontoado de cadáveres, todo o desespero do inferno.
A Barca de Caronte
Os gregos e romanos da antiguidade acreditavam que essa era uma barca pequena na qual as almas faziam a travessia do Aqueronte, um rio de águas turbilhonantes que delimitava a região infernal. O nome desse rio veio de um dos filhos do Sol e da Terra, que por ter fornecido água aos titãs, inimigos de Zeus (Júpiter), foi por ele transformado em rio infernal. As suas águas negras e salobras corriam sob a terra em grande parte do seu percurso, donde o nome de rio do inferno, que também lhe davam. Caronte era um barqueiro velho e esquálido, mas forte e vigoroso, que tinha como função atravessar as almas dos mortos para o outro lado do rio. Porém, só transportava as dos que tinham tido seus corpos devidamente sepultados e cobrava pela travessia, daí o costume de se colocar uma moeda na boca dos defuntos. Segundo o mitólogo Thomas Bulfinch, ele “recebia em seu barco pessoas de todas as espécies, heróis magnânimos, jovens e virgens, tão numerosos quanto as folhas do outono ou os bandos de ave que voam para o sul quando se aproxima o inverno. Todos se aglomeravam querendo passar, ansiosos por chegarem à margem oposta, mas o severo barqueiro somente levava aqueles que escolhia, empurrando o restante para trás”.
Segundo a lenda, o barqueiro concordava apenas com o embarque das almas para as quais os vivos haviam celebrado as devidas cerimônias fúnebres, enquanto as demais, cujos corpos não haviam sido convenientemente sepultados, não podiam atravessar o rio, pois estavam condenadas a vagar pela margem do Aqueronte durante cem anos, para cima e para baixo, até que depois de decorrido esse tempo elas final-mente pudessem ser levadas.

Fontes:
http://www.casthalia.com.br/a_mansao/obras/michelangelo_juizo.htm
http://www.metodista.br/ppc/caminhando/caminhando-16/o-juizo-final-de-michelangelo
http://en.wikipedia.org/wiki/The_Last_Judgment_(Michelangelo)
http://www.biografia.inf.br/michelangelo-escultor-pintor-arquiteto.html#41

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Todos os caminhos levam a Florença e a seu Duomo

A Basílica di Santa Maria del Fiore é a catedral, ou Duomo, da Arquidiocese da Igreja Católica Romana de Florença. Notabilizada por sua monumental cúpula - obra do celebrado arquiteto renascentista Brunelleschi - e pelo campanário, de Giotto, é uma das obras da arte gótica e da primeira renascença italiana, considerada de fundamental importância para a História da Arquitetura, registro da riqueza e do poder da capital da Toscana nos séculos XIII e XIV. Seu nome (cuja tradução é Santa Maria da Flor) parece referir-se ao lilium, símbolo de Florença, mas, documento do Século XV, por outro lado, informa que “flor”, no caso, refere a Cristo. 

Ficheiro:Santa maria del fiore - retouched.jpg

    A monumental fachada de Santa Maria del Fiore,  Piazza Duomo, 17, Firenze, Toscana/Itália

História

O Duomo de Florença, como o vemos hoje, é o resultado de um trabalho que se estendeu por seis séculos. Seu projeto básico foi elaborado por Arnolfo di Cambio no final do século XIII, sua cúpula é obra de Filippo Brunelleschi, e sua fachada teve de esperar até o século XIX para ser concluída. Ao longo deste tempo uma série de intervenções estruturais e decorativas no exterior e interior enriqueceriam o monumento, dentre elas a construção de duas sacristias e a execução de esculturas e afrescos por Paolo Uccello, Andrea del Castagno, Giorgio Vasari e Federico Zuccari, autor do Juízo Final no interior da cúpula. Foi construída no lugar da antiga catedral dedicada a Santa Reparata, que funcionou durante nove séculos até ser demolida completamente em 1375.

Mino de Cantoribus sugeriu a substituição de Santa Reparata por uma catedral ainda maior e mais magnificente, de tal forma que "a indústria e o poder do homem não pudessem inventar ou mesmo tentar nada maior ou mais belo", e estava preparado para finaciar a construção. Entretanto, esperava-se que a população contribuísse, e todos os testamentos passaram a incluir uma cláusula de doação para as obras. O projeto foi confiado a Arnolfo em 1294, e ele cerimoniosamente lançou a pedra fundamental em 8 de setembro de 1296.

Arnolfo trabalhou na construção até 1302, ano de sua morte, e embora o estilo dominante da época fosse o gótico, seu projeto foi concebido com uma grandiosiddade clássica. Arnolfo só pôde trabalhar em duas capelas e na fachada, que ele teve tempo de completar e decorar só em parte. Com a morte do arquiteto o trabalho de construção sofreu uma parada. 

Um novo impulso foi dado quando em 1330 foi descoberto o corpo de São Zenóbio em Santa Reparata, que ainda estava parcialmente de pé. Giotto di Bondone então foi indicado supervisor em 1334, e mesmo que não tivesse muito tempo de vida (morreu em 1337) ele decidiu concentrar suas energias na construção do campanário. Giotto foi sucedido por Andrea Pisano até 1348, quando a peste reduziu a população da cidade de 90 mil para 45 mil habitantes.




O relógio de Uccello



Sob Francesco Talenti, supervisor entre 1349 e 1359, o campanário foi concluído e preparou-se um novo projeto para o Duomo, com a colaboração de Giovanni di Lapo Ghini: a nave central foi dividida em quatro espaços quadrangulares com duas alas retangulares, reduzindo o número de janelas planejadas por Arnolfo. Em 1370 a construção já estava bem adiantada, o mesmo se dando com o novo projeto para a abside, que foi circundada por tribunas que amplificaram o trifólio de Arnolfo. Por fim Santa Reparata terminou de ser demolida em 1375

Ao mesmo tempo continuou-se o trabalho de revestimento externo com mármores e decoração em torno das entradas laterais, a Porta dei Canonici (sul) e a Porta della Mandorla (norte), esta coroada com um relevo da Assunção, última obra de Nanni di Banco.
Contudo, o problema da cúpula ainda não fora resolvido. Brunelleschi fez seu primeiro projeto em 1402, mas o manteve em segredo. Em 1418, a Opera del Duomo, a centenária empresa administradora dos trabalhos na Catedral, anunciou um concurso que Brunelleschi haveria de vencer, mas o trabalho não iniciaria senão dois anos mais tarde, continuando até 1434

A Catedral foi consagrada pelo Papa Eugênio IV em 25 de março (o Ano Novo florentino) de 1436, 140 anos depois do início da construção. Os arremates que ainda esperavam conclusão eram a lanterna da cúpula (colocada em 1461) e o revestimento externo com mármores brancos de Carrara, verdes de Prato, e vermelhos de Siena, de acordo com o projeto original de Arnolfo.

A fachada

                         



A fachada original, desenhada por Arnolfo di Cambio, só foi começada em meados do século XV, realizada de fato por vários artistas em uma obra coletiva, mas de toda forma só foi terminada até o terço inferior. Esta parte foi desmantelada por ordem de Francesco I de Medici entre 1587 e 1588, pois era considerada totalmente fora de moda naquela altura. 

O concurso que foi aberto para a criação de uma nova fachada acabou em um escândalo, e os desenhos subseqüentes que foram apresentados não foram aceitos. A fachada ficou, então, despida até o século XIX, mas estatuária e ornamentos originais sobrevivem no Museu Opera del Duomo e em museus de Paris e Berlim.

Em 1864, Emilio de Fabris venceu um concurso para uma nova fachada, que é a que vemos hoje, um enorme e magistral trabalho de mosaico em mármores coloridos em estilo neogótico, com uma volumetria dinâmica e harmoniosa. Pronta em 1887, foi dedicada à Virgem Maria, e é ricamente adornada com estatuária de elegante e austero desenho. Em 1903 terminaram-se as monumentais portas de bronze, com várias cenas em relevo e outras decorações.

Interior


Sua planta é basilical, com três naves, divididas por grandes arcos suportados por colunas monumentais. Tem 153 metros de comprido por 38 metros de largo, e 90 metros no transepto. Seus arcos se elevam até 23 metros de altura, e o cume da cúpula, a 90 metros.
Suas decorações internas são austeras, e muitas se perderam no curso dos séculos. 

Alguns elementos acharam abrigo no Museu Opera del Duomo, como os coros de Luca della Robbia e Donatello. Subsistem também os monumentos a Dante, a John Hawkwood, a Niccolò da Tolentino, a Antonio d'Orso, e os bustos de Giotto (de Benedetto da Maiano), Brunelleschi (de Buggiano - 1447), Marsilio Ficino, e Antonio Squarcialupi.
  
                                                     Ficheiro:Florenca122.jpg
  
Sobre a porta de entrada há um relógio colossal com decoração em pintura de Paolo Uccello, e acertado de acordo com a hora italica, uma divisão do tempo comumente empregada na Itália até o século XVIII, que dava o por-do-sol como o início do dia.

Os vitrais são os maiores em seu gênero na Itália entre os séculos XIV e XV, com imagens de santos do Velho e Novo Testamento. O crucifixo é obra de Benedetto da Maiano, a talha do coro de Bartolommeo Bandinelli, e as portas da sacristia são de Luca della Robbia.




 

Ponto de encontro e núcleo central da cidade desde o século XIV, essa praça, dominada pelo Palazzo Vecchio, é um autêntico museu ao ar livre. Pode resumir sozinha a história de Florença. Primeiro abrigava os banhos romanos; depois se converteu no centros das reuniões da cidade e da revolução; e mais tarde, o lugar das comemorações.

Está rodeada por estátuas, entre elas a cópia de "David", de Michelangelo, sendo que a original se encontra na Galleria dell´Academia; e "Judith e Holoferne", de Donatello. 

Também imponente, a Fonte de Neptuno, obra de Bartolomeo Ammannati, pretendia destacar a vocação marítima de Florença. Mas acabou chamando mais atenção porque foi o primeiro nú exposto em praça pública.


Piazza della Signoria, Piazza della Signoria, centro da cidade de Firenze




"David", de Michelangelo, Galleria dell´Academia, Firenze- Toscana/Itália


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Arte Romana



A influência da arte romana veio da cultura etrusca, arte popular que retratava o cotidiano e da cultura greco-helenística, expressando o ideal de beleza, entre os séculos XII e VI a. C., em diferentes regiões da Itália. Sua civilização surgiu em 753 a. C., por meio de lendas e mitos.


A arquitetura
Uma das características da arquitetura veio da arte etrusca, por meio do uso do arco e da abóbada nas construções. Essas estruturas diminuiram a utilização das colunas gregas e aumentaram os espaços internos. Antes, se as colunas não fossem usadas, o peso do teto poderia causar tensões nas estruturas. O arco ampliou o vão entre uma coluna e outra e a tensão do centro do teto era concentrado de formas homogênea.

No final do século I d.C., Roma havia superado as influências desenvolvendo criações próprias.


Nas moradias romanas, as plantas eram rigorosas e eram desenhadas sob um retângulo. As estruturas gregas, eram admiradas pela elegância e flexibilidade e foram implantadas nessas moradias, o peristilo (espaço formado por colunas isoladas e aberto na lateral)

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Os templos, tinham uma arquitetura diferente: no pórtico de entrada, havia uma escadaria, as laterais se diferenciavam da entrada e não tinham a mesma simetria. Utilizada pelos gregos, acrescentaram, então, os peristilos. Ex.: Maison Carré, em Níves – França, feita no final do século I a.C. As colunas laterais tinham ideia de um falso peristilo.



  Maison Carreé, erguida sobre uma alta base. Este templo dominava o foro da cidade antiga. Construída no primeiro século de nossa era, La Maison Carreé, leva este nome desde o século XVI. Dedicado a Caius e Lucius Cesar, netos do Imperador Augusto, é o único templo do mundo antigo conservado em sua totalidade.




Para fugir da inspiração grega, romanos criaram templos, valorizando os espaços interiores, como exemplo o Panteão, em Roma, construída durante o reinado do Imperador Adriano. Ele é o primeiro templo pagão ocupado por uma igreja cristã, devido a sua estrutura arquitetônica.

 Panteon 


 A Coluna de Trajano (106 – 113 d. C.) é o mais ambicioso desses monumentos. Mostra um relevo envolvendo a coluna em mais de duzentos metros de espiral ininterrrupta, comemorando massacres em mais de 150 cenas.


Coluna de Trajano. Localizada no fórum perto do monte Quirinal, a coluna tem aproximadamente 30 metros de altura mais oito metros de pedestal, perfazendo 38 metros de altura. Constituída por vinte blocos de mármore, cada um pesando 40 toneladas, e um diâmetro de quatro metros. No seu interior, uma escada em espiral com 185 degraus dá acesso à plataforma do topo, de onde se obtém uma vista periférica

Monumento Coluna de Trajano. Ao longo da coluna, figuras em baixo relevo contam a história da guerra contra os dácios, repetidas vezes.
  • Coluna de Marco Aurélio: construída um século depois, retrata a vitória dos romanos sob um povo da Alemanha do Norte.

                         Abaixo: Templo de Vesta, a deusa do fogo na mitologia romana


                           Templo de Vesta, a deusa do fogo na mitologia romana.

Teatro

Foram criados os anfiteatros, com o uso das abóbadas e arcos; o um espaço era amplo e suportava muitas pessoas. O público se encontrava no auditório, sendo possível construir os edifícios em qualquer lugar. O evento que eles mais gostavam eram as lutas dos gladiadores e não era necessário um palco para apreciar o espetáculo. Em um espaço central elíptico era circundado pela arquibancada, com grande número de fileiras. Um grande exemplo é o Coliseu, em Roma, uma das sete maravilhas do mundo moderno.


                         





Pintura

Os pintores romanos usaram, ao mesmo tempo que o realismo, a imaginação, dando origem às obras que ocupavam grandes espaços, enriquecendo mais a arquitetura. A maioria das pinturas originou-se da cidade de Pompeia e Herculano e foram soterradas pela erupção de um vulcão. Elas desencadearam a quatro estilos de pintura:

estilo - Não era considerada uma pintura: as paredes eram pintadas com gesso, dando impressão de placas de mármore;


Afresco da Villa dos Mistérios, Pompeia

2º estilo - Descobriu-se que a ilusão com gesso poderia ser substituída pela pintura: os artistas pintavam painéis, com pessoas, animais, objetos sugerindo profundidade;
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estilo - Valorização dos detalhes: no final do século I a. C., a realidade das representações foi trocada por detalhes;

  estilo - Volta da profundidade, dos espaços: a ilusão dos espaços foi combinada a delicadeza, dando origem ao quarto estilo. Ex.: sala da casa dos Vetti, em Pompeia.



                                                     Cena da vida de Íxion, Casa dos Vettii, Pompeia

Escultura

Na escultura, os romanos eram muito diferentes dos gregos em alguns aspectos. Apesar de apreciarem a arte, eles não representavam o ideal de beleza, mas a cópia fiel das pessoas, buscando retratar traços particulares. Um exemplo disso é a estátua do imperador romano, Augusto, criada por volta de 19 a.C..

Numa cópia do Doríforo, dos gregos, o artista detalhou as feições reais do Imperador, a couraça e as capas romanas. Essa preocupação também foi encontrada em relevos esculpidos, pois eles buscavam representar acontecimentos e pessoas que participaram dele.
Outra corrente importante da escultura romana foi o relevo narrativo. Painéis de figuras esculpidas representando feitos militares decoravam arcos de triunfo, sob os quais desfilavam os exércitos vitoriosos conduzindo longas filas de prisioneiros acorrentados.



Sem dúvida, os romanos contribuíram muito com a arte, tendo um espírito prático e aptos para construir teatros, templos, casas, aquedutos, etc. No início do século III, eles começaram a enfrentar lutas internas, por causa da entrada dos povos bárbaros. A preocupação com a arte diminuiu e no século V, o Império Romano entra em decadência e é dominado pelos invasores germânicos.





Dos etruscos herdaram as técnicas que lhes permitiram a utlização do arco e da abóbada. Dos gregos herdaram as concepções clássicas dos estilos Jônio, Dório e coríntio, aos quais associaram novos estilos, como o toscano. No entanto, a arquitetura romana, foi fortemente influenciada pela cultura grega e desenvolveu, por sua vez, obras que retratavam uma nova realidade, diferente daquela vivida por gregos, em qualquer período de sua história.   

         Nesse sentido destaca-se a imponência e a grandiosidade das construções romanas, refletindo as conquistas e a riqueza desta sociedade - templos, basílicas, anfiteatros, arcos de triunfo, colunas comemorativas, termas e edifícios administrativos - eram obras que apresentavam dimensões monumentais.


                  Ponte sobre o rio Tibre, Itália

         Os romanos ainda construíram aquedutos que transportavam água limpa até as cidades e também desenvolveram complexos sistemas de esgoto para dar vazão à água servida e aos dejetos das casas.
        
O conhecimento atual sobre a antiga arquitetura romana provém de escavações arqueológicas por toda a área do império e de registros escritos, como livros, dedicatórias e inscrições.
        
Seguindo o plano etrusco, os romanos erigiam as cidades em torno de duas avenidas principais: uma no sentido norte-sul, outra de leste a oeste, e uma praça (forum) na intersecção.

        
Os edifícios públicos agrupavam-se em geral em torno do forum. Inicialmente dominada pela influência etrusca, a arquitetura romana adquiriu um estilo próprio com a descoberta do cimento, no século II a.C., a construção com tijolos e ao aprimoramento do arco.
        
As construções dos dois últimos séculos do império incluem-se entre as manifestações mais importantes da arte romana. Depois do grande incêndio no reinado de Nero, o aspecto urbano transformou-se com as reconstruções.

        
Destacam-se os grandes foruns imperiais e o mais suntuoso de todos, o de Trajanus, em que predominavam os "mercados", seis andares de lojas ligados por corredores e escadarias, escavados na rocha viva do monte Quirinal.

Obra-prima da engenharia e da arquitetura romana em sua técnica de origem oriental, o foro de Trajanus era cercado por grande muralha revestida de mármores e possuía salas de reunião, bibliotecas, um templo consagrado a Trajanus e uma basílica.


Nas grandes cidades, as termas ocupavam um espaço considerável, com banhos, saunas e numerosos estabelecimentos anexos. Os banhos de Agrippa, em Roma, hoje desaparecidos, são o primeiro exemplo da concepção monumental das termas romanas dos séculos II e III, das quais as mais famosas são as do imperador Caracalla, com bibliotecas, salas de leitura e conversação, ginásios e um teatro; e as de Diocletianus, a maior de todas, com 140.000m2.


Os arquitetos romanos usaram as formas gregas, mas desenvolveram novas técnicas de construção, como o arco, que abrange uma distância maior que o sistema de pilar e dintel (dois postes verticais suportando uma trave horizontal). O concreto permitiu projetos mais flexíveis, como o teto abobadado e imensas áreas circulares com teto encimado por domo. Aqui estão algumas contribuições romanas para a arquitetura.
formas de construção
BASÍLICA, edifício, com absides semicirculares nas extremidades e altas janelas de clerestório, usado como ponto de encontro na era de Roma e amplamente imitado pelas igrejas cristãs nos templos medievais.
ABÓBADA CILÍNDRICA, arco estreito, fomando teto em semicilindro
ABÓBADA DE ARESTAS, duas abóbadas cilíndricas da mesma altura, em interseção de modo a formar um ângulo reto.






Embora os romanos tivessem copiado maciçamente a estatuária grega para atender à mania de arte helênica, desenvolveram gradualmente um estilo próprio. A escultura romana em geral é mais literal. Os romanos tinham em casa máscaras mortuárias, feitas em cera, dos ancestrais. Essas imagens realísticas eram moldes totalmente factuais das feições do falecido, e essa tradição influenciou os escultores romanos.

Exceção a essa tradição era a produção em série de bustos, semelhantes a deuses, de imperadores, políticos e líderes militares, dispostos nos prédios públicos de toda a Europa, reafirmando uma presença política a milhares de quilômetros de Roma. 

É interessante observar que, no declínio de Roma, quando os assassinatos se tornaram o método preferido para a transferência de poder, os bustos reverteram para uma brutal honestidade. Uma estátua nada elogiosa de Caracalla revela um cruel ditador, e o retrato de Felipe, o Árabe, mostra um tirano desconfiado.

Imperador romano Caracalla



Fontana de Trevi : História do Aqueduto e da Localização

 A fonte situava-se no cruzamento de três estradas (tre vie), marcando o ponto final do Acqua Vergine, um dos mais antigos aquedutos que abasteciam a cidade de Roma. No ano 19 a.C., supostamente ajudados por uma virgem, técnicos romanos localizaram uma fonte de água pura a pouco mais de 22 quilômetros da cidade (cena representada em escultura na própria fonte, atualmente). A água desta fonte foi levada pelo menor aqueduto de Roma, diretamente para os banheiros de Marco Vipsânio Agripa e serviu a cidade por mais de 400 anos.

O "golpe de misericórdia" desferido pelos invasores godos em Roma foi dado com a destruição dos aquedutos, durante as Guerras Góticas. Os romanos durante a Idade Média tinham de abastecer-se da água de poços poluídos, e da pouco límpida água do rio Tibre, que também recebia os esgotos da cidade.

O antigo costume romano de erguer uma bela fonte ao final de um aqueduto que conduzia a água para a cidade foi reavivado no século XV, com o Renascimento. Em 1453, o Papa Nicolau V, determinou que fosse consertado o aqueduto de Acqua Vergine, construindo ao seu final um simples receptáculo para receber a água, num projeto feito pelo arquiteto humanista Leon Battista Alberti.

Em 1629, o Papa Urbano VIII achou que a velha fonte era insuficientemente dramática e encomendou a Bernini alguns desenhos, mas quando o Papa faleceu o projeto foi abandonado. A última contribuição de Bernini foi reposicionar a fonte para o outro lado da praça a fim de que esta ficasse defronte ao Palácio do Quirinal (assim o Papa poderia vê-la e admirá-la de sua janela). Ainda que o projeto de Bernini tenha sido abandonado, existem na fonte muitos detalhes de sua idéia original.




fonte: 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fontana_di_Trevi
http://historia-da-arte.info/mos/view/Arte_Romana/